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22/05/2008

Espaço jovem


Entrevista 

No Tocantins, a população jovem ganhou reforço em sua busca por maior acesso à cultura. A Secretaria Estadual da Juventude vem implementando, em parceria com o Governo Federal, o Projeto Centro da Juventude em diversos municípios do Estado. A meta é promover alternativas de socialização por meio da cultura, além de criar um espaço dedicado à capacitação de jovens. Nesta entrevista, o Secretário Estadual da Juventude, Ricardo Ayres, fala sobre o cenário jovem do Tocantins e conta a experiência vivida nesta primeira etapa do Projeto.

Boletim da Democratização Cultural – Qual a atual situação do acesso à cultura no Tocantins?

Ricardo Ayres – O Estado do Tocantins experimentou um crescimento demográfico muito acentuado desde sua criação. Para o mais novo Estado da federação vieram pessoas de diversas regiões do País, com suas experiências e costumes. É o encontro do nortista, filho da floresta, com os desbravadores do cerrado e da caatinga, que se somaram aos imigrantes sulistas, moradores dos grandes centros urbanos. É neste cenário bem diverso que se estrutura a identidade cultural do Estado ainda em formação.

B. D. C. – Qual o perfil da juventude tocantinense?

R. A. – O Tocantins é um Estado jovem não somente porque foi criado recentemente, com a constituição de 1988, mas porque possui mais de 33% de sua população formada por jovens. Como em todo o Brasil, é exatamente esta faixa da nossa população que mais sofre com os graves problemas sociais, como desemprego, falta de qualificação, inexistência de bens de cultura nas cidades e o acesso aos níveis mais elevados de escolarização. A dívida do Estado para com a juventude tocantinense ainda é maior, comparando-se com outras regiões, pelo fato de termos sido relegados, historicamente, a segundo plano, quando integrávamos o território de Goiás.

B. D. C. – E o que vem sendo feito para superar essa defasagem histórica?

R. A. – O jovem tocantinense, agora é convidado a contribuir com o desenvolvimento da região, como agente de transformação da realidade, e não somente como potencial mão-de-obra para  o mercado de trabalho. Este jovem almeja uma oportunidade de capacitação profissional, alem do livre acesso à educação, ao esporte e ao lazer. Esses pontos foram diagnosticados pela pesquisa Perfil da Juventude, realizada em 2006, e que serviu para delimitar as prioridades das ações e programas do Governo do Estado.

B. D. C.  – Como surgiu o Centro da Juventude?

R. A. – O Centro da Juventude surgiu da necessidade de integrarmos todos os programas voltados para a juventude, que vinham sendo oferecidos de forma dispersa pelos diversos órgãos do poder público estadual nos municípios tocantinenses. Este espaço físico, além de economizar recursos públicos e dar visibilidade política à temática juvenil, serve, de forma eficiente, para atrair o público jovem para um local que possa ser percebido mais facilmente como seu, com a sua cara e linguagem. Se, por um lado, o Centro funciona como um reforço para a elevação da auto-estima do jovem, por outro, permite preservação do patrimônio público, até então sem utilidade.

B. D. C. – E como funciona o Centro da Juventude? A quantos jovens atende?

R. A.  – O Centro está localizado em 23 municípios do Estado, o que significa o atendimento de 82% da população residente nestas cidades. 14 mil jovens são beneficiados diretamente pelos programas Juventude Cidadã, para adolescentes de 15 a 17 anos; Primeiro Emprego para jovens de 18 a 29 anos; Jovem Profissional, que alia inclusão digital à capacitação profissional; e Capacitação Profissional, focado na educação à distância, com sistema telepresencial de ensino, nas áreas de turismo e construção civil.

B. D. C. – Existe algum plano para a expansão do Centro?

R. A. –  Este ano, implantaremos, graças ao apoio do Ministério da Cultura e da Fundação Cultural do Estado, Pontos de Cultura em cada Centro, com investimento de 180 mil reais para cada unidade, o que dará a oportunidade de atendermos às crianças e adolescentes de outros programas sociais, com realização de cursos básicos de informática e ações culturais.

B. D. C. - Na sua opinião, o Centro da Juventude, por meio do fomento à cultura, atua como um elemento de ampliação do exercício da cidadania e do respeito à diversidade?
 
R. A.
– Oferecer acesso à cultura e incentivar a produção cultural são alguns dos objetivos do Centro da Juventude. Pode parecer óbvio, mas um jovem que tem acesso a um livro, a um instrumento musical ou a uma câmera de vídeo, por exemplo, pode descobrir um dom, um novo mundo até então desconhecido. Ao mesmo tempo, esse jovem deve ser estimulado a dar algo em contrapartida para a sociedade, já que está sendo beneficiado por um programa público. A idéia que ele retribua a iniciativa disseminando seu aprendizado nos Centros.

 
 
 
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